Vera Magalhães culpa Bolsonaro e Salles pelo desmatamento na Amazônia

Nesta terça-feira, Vera Magalhães, sempre vocal em relação ao governo Bolsonaro, foi clara em acusar o presidente e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, de terem culpa no aumento do desmatamento na Amazônia. Segundo o INPI, esse ano o desmatamento aumentou 29,5% em relação ao ano anterior (de agosto a julho).

A jornalista afirmou que o governo insistiu em negar os dados do sistema DETER que apontavam para um crescimento do desmatamento, citando a suposta confirmação dos dados pelo sistema PRODES.

Acusou também o ministro e o presidente de terem ignorado especialistas, cientistas e técnicos, sem, contudo ter especificado quais dados e os pontos de divergência.

MUITA CALMA E CABEÇA FRIA!

Para evitar obscurantismo e falácia de autoridade iremos verificar os dados e expô-los aqui de forma que você poderá destrinchá-los você mesmo.

Como pode ser verificado no site do PRODES (aqui) realmente houve um aumento de desmatamento de 30% em relação ao verificado em relação ao ano anterior, porém, insta dizer que na medição histórica de 2004 (desmatamento de 27.772 km²) para 2019 (9762 km²) há uma redução de 65% de área desmatada na Amazônia Legal.

Ao longo dos anos a área desmatada possui um grau de variância enorme, embora não haja o que comemorar, não é um caso para toda uma histeria e nem é o caso de se afirmar culpados sem que se indique qual foi a causa.

AOS DADOS

Analisando os dados do PRODES verifica-se que a área desmatada (linha vermelha) teve um crescimento em relação ao ano anterior, assim como ocorreu com 2018 em relação a 2017.

Observa-se que a área desmatada ainda permanece abaixo da média histórica nesse período (linha pontilhada preta) mas se aproximou dela como um claro sinal de alerta.

A área azul representa UM DESVIO padrão, ou seja, trabalhando com um intervalo de confiança baixo (cerca de 68% dos casos), a previsão máxima de variação com esse grau de precisão seria até o topo dessa área.

Isso significa que poderíamos ter tido um desmatamento de mais 6.000 km² que estaria tudo bem? Não, NÃO AFIRMAMOS ISSO.

Afirmamos que de acordo com os dados existentes, que teria até 68,27% de chances de a área total de desmatamentos irem até 15874 km² e 95,45% dessa área estar compreendida em até 21.000 km² (2 desvios padrão).

Em resumo, quantitativamente falando, a variação foi dentro da normalidade e do esperado. Isso é um fato.

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TENDÊNCIA PERIGOSA

O que os “especialistas” podem dizer, e com razão, é que de acordo com uma meta devemos buscar uma maior redução do desmatamento avaliando tendências.

Os investidores de plantão e analistas gráficos terão intimidade com uma palavra que significa muito nesse caso: –tendência.

Graficamente uma tendência de alta é confirmada quando se vê sucessivos topos e fundos em ascensão em relação aos anteriores.

Isso pôde ser verificado desde 2012, com um topo imediatamente em 2013 e outro em 2016, com fundos ascendentes em 2012, 2014 e 2017.

Tecnicamente podemos dizer que há uma tendência de aumento de desmatamento começando no ano de 2012 e caracterizada a partir da inflexão em 2017.

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Ruído, narrativa, panfleto e propaganda

O Mindinho de Prosa, embora declaradamente não seja isento, não é um blog panfletário, portanto não se coloca a favor deste governo ou qualquer partido. O mesmo ceticismo com o qual o Estado deve ser tratado, a imprensa ou qualquer veículo de comunicação o deve ser.

A ideia da construção de uma narrativa com fins políticos por parte da imprensa, seja pró-governo ou contra o governo, nos é repudiada. O tema ambiental é extremamente importante e não se constitui de uma bandeira exclusiva de uma ideologia.

Alertamos que tanto o conservadorismo quanto o liberalismo tem falhado em dar a devida atenção para o assunto que tende a ser monopolizado por falas ideológicas e tratado como uma pauta esquerdista, preenchido, portanto, de crendices, obscurantismo e narrativas com finalidade pura e simplesmente política.

A popularização do tema e utilização do mesmo por personalidades e famosos como plataforma para chamar atenção, tem deixado de lado a discussão técnica e transformado-a em um debate puramente falacioso e recheado de afirmações não verificáveis que são tratadas como verdades absolutas.

A nossa análise dos dados constitui-se da aplicação, tão somente, de métodos quantitativos fundamentais aos dados disponíveis. Não pretendemos chegar a uma conclusão ou esgotar o assunto, que deve sim ser debatido publicamente, mas com uma maior discussão sobre os dados e com a maior seriedade possível evitando ao máximo uso de obscurantismo.

Nesse contexto apontamos não só a responsabilidade dos jornalistas e veículos de comunicação, como também dos especialistas consultados, que devem se ater mais às analises frias dos fatos que a ideia de se criar uma propaganda para que se popularizem as teses que se pretende, por fins escusos ou mesmo legítima crença, defender.

Por fim reiteramos a responsabilidade (não culpa) do governo que não deve ser isentado do dever de fiscalizar, policiar e zelar pelo meio ambiente, cabendo a este maior transparência possível em relação ao tema. Mas isso é obvio, é muito debatido e sobram matérias falando a respeito.

Por hora seguimos acompanhando o trabalho do ministro Ricardo Salles quem entendemos ter sido constante alvo de corporações e parte da mídia que tem se valido de obscurantismo e factoides para causar uma avaliação negativa de um trabalho o qual nossa sociedade ainda não entende bem. Todo debate é positivo, pois mesmo que causado por desinformação termina por trazer a curiosidade pública e amadurecimento do debate.

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