Abolicionista, liberal, monarquista e 1º engenheiro negro do país.

Quem foi?

Engenheiro militar, abolicionista, liberal e monarquista convicto, André Rebouças é sem dúvida uma das personalidades que mais carecem da devida atenção quando contamos a história de nosso país. A história a ser contada hoje não será sobre racismo, será sobre liberdade.

Quando falamos de símbolos do abolicionismo figuras mais lembradas costumam ser José do Patrocínio, Joaquim Nabuco e Princesa Isabel.

Mais atenção devia ser dispensada ao intelectual, um dos idealizadores do movimento abolicionista sucedido e um de seus maiores articuladores, o liberal André Rebouças.

O Grande Professor Paulo Cruz, recomendamos que sigam esse cara.

SUA HISTÓRIA

André Rebouça nasceu no município de Cachoeira no estado da Bahia em 1838. Filho de Carolina Pinto rebouças e Antônio Pereira Rebouças, possuía seis irmãos dentre eles os também engenheiros André e José Rebouças.

Integrantes de uma família de classe média, André foi morar com sua família no Rio de Janeiro ainda jovem quando seu pai foi eleito deputado. Os irmãos Rebouças estudaram na escola militar, tendo André sido o primeiro negro a se formar engenheiro no Brasil em uma das escolas militares mais respeitadas do mundo.

Imaginemos todas as barreiras que os irmãos rebouças tiveram que conviver em seu tempo, afinal eram dois negros em uma país racista com a escravidão vigente, estudando, convivendo e vivendo em locais onde eram não só minorias, outros como eles eram tratados como sub humanos pelo país e considerados pelos escravagistas, principalmente latifundiários, uma das forças motrizes da economia.

Mas, como disse, a história aqui contada hoje não é sobre racismo, é sobre liberdade.

O GRANDE ENGENHEIRO, ANDRÉ

André foi além do primeiro engenheiro negro a se forma no Brasil, foi um engenheiro com uma notável carreira. Ao se formar engenheiro militar serviu na guerra do paraguai, sido tenente engenheiro, inclusive trabalhando no desenvolvimento de um torpedo.

Passou um ano estudando na Europa após se formar tendo aprimorado ainda mais seus estudos. Acabou se destacando no Brasil ao ter construído junto com seus irmãos, Antônio e José, a estrada de ferro de Curitiba-Paranaguá (concluída em 1885), uma obra primorosa e considerada na época uma das obras mais ousadas do mundo.

André também participou da construção das docas Dom Pedro 2º, Alfândega e atuou no problema de abastecimento de águas no Rio de Janeiro, na época, capital do império e construiu a Estrada da Graciosa, no Paraná.

ANDRÉ, O INTELECTUAL

Além de engenheiro, Rebouças havia se engajado em outras atividades culturais, foi um dos incentivadores de Carlos Gomes, autor de O Guarani, defendia a modernização do país, além da abolição da escravatura, pensava em formas de modernizar a agricultura brasileira, tornando-a mais competitiva, escrevendo inclusive uma obra sobre o assunto:

-Agricultura nacional : estudos econômicos ; Propaganda abolicionista e democrática, setembro de 1874 a setembro de 1883.

(Não encontramos essa obra em pdf, colaremos os links de bibliotecas que possuem a obra que devido ao valor histórico entendemos que devia estar digitalizado e disponível a todos.)

link 1

link 2

André também participou da Associação Brasileira de Aclimação e da Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional, promoveu e patrocinou eventos culturais abolicionistas.

André, um clássico liberal, foi um veemente opositor ao clientelismo, defensor da meritocracia e da liberdade, entendia que a liberdade dos escravos era uma das etapas necessárias para que o país se desenvolvesse.

ANDRÉ E A POLÍTICA

André Rebouças integrava um classe média negra em ascensão com conexões importantes no império e um bom acesso à corte imperial e trânsito político na elite do Brasil Imperial.

Desde cedo André esteve ligado aos ideais liberais tanto econômicos quanto em defesa das liberdades individuais e por ser descendente de escravos, era especialmente empenhado na luta abolicionista, o que talvez tenha sido o maior empreendimento de sua vida.

Apesar de serem muito citados José do Patrocínio, Joaquim Nabuco e outros, André rebouças já atuava em defesa da abolição, décadas antes do movimento abolicionista de fato ganhar força, tanto que em 1868 já teria fundado uma associação abolicionista.

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André foi um dos grandes se não o maior articulista em defesa da liberdade, tendo atuado em diversos níveis políticos, em diversas camadas sociais em favor da abolição. Ele foi um dos que trouxe para o plano político os debates para abolir a escravidão de forma aberta.

Rebouças defendia diversas políticas liberais, abertura de mercado, defendia o direito à propriedade por qualquer um, facilitação da aquisição da propriedade em especial a terra. Porém tinha uma visão estruturalista da ação do Estado na distribuição fundiária.

Devemos lembrar que os latifúndios na época não eram de forma alguma propícios ao liberalismo, eram dominados por força de trabalho escrava e estritamente protecionista. Enxergava que suas políticas liberais precisavam de um ambiente livre para que o país de fato prosperasse, Rebouças, naquela época, já lutava contra corporações que buscavam privilégios em detrimento da liberdade alheia.

Excelente canal, rápida explicação, recomendcamos!

A DECEPÇÃO

Os mesmo latifundiários que foram contra a abolição, que se deu no dia 13 de maio de 1888 foram os maiores articuladores da República, tendo esta sido proclamada em um golpe de estado no dia 15 de novembro de 1889, ou seja, um ano depois.

Insta ressaltar mais uma vez que este blog tem um viés declaradamente liberal e não monarquista, porém, a verdade dos fatos precisam ser ditas e abandonadas as narrativas revisionistas. Acredita-se que a monarquia era extremamente popular entre a população e a República foi proclamada sem que houvesse de fato participação popular.

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Rebouças não apoiava a República e devemos ter em mente que deve ter sido além do que poderia suportar ver os antigos escravagistas chegarem ao poder em um golpe de estado. André lutou por liberdade, conseguiu, mas viu os Tiranos ainda assim vencendo.

Deixou o Brasil junto com a família imperial, tendo se auto exilado e vivido em Lisboa depois em Cannes até a morte de D. Pedro II, em 1891.

Após a morte de D. Pedro II, Rebouças viveu em Luanda e depois na ilha da Madeira, onde se suicidou em 9 de maio de 1898 jogando-se do alto de um penhasco.

Neste dia da consciência negra, mindinho clama por liberdade e saúda o militar, engenheiro, liberal, empreendedor e, por acaso, negro, André Rebouças.

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